quarta-feira, 25 de maio de 2016

Reflexão pós-aula 17/05
No início da aula a professora fez uma leitura de um texto de Rubens Alves, que nos trouxe uma reflexão sobre o tema-problema de uma pesquisa e a iniciação na pesquisa científica. Para se iniciar um projeto de pesquisa, além da idéia, precisamos encontrar uma questão a ser respondida,  um problema que é o objeto a ser pesquisado. É um processo de transformação, no qual a pergunta vai acontecendo. Eu sinto uma certa dificuldade em encontrar o “problema chave” da minha pesquisa, embora já tenha em mente a idéia do que investigar. Pretendo, através da minha pesquisa, fazer uma análise da relação entre a importância da formação artística e profissional de um ator, e a importância do Teatro Educação como instrumento pedagógico que enfatiza mais o processo de desenvolvimento  e o caráter formativo de um estudante, do que o método de ensino a ser atingido, com o recorte de  um contexto de vulnerabilidade social; no meu ante projeto, cito Ingrid Dormien Koudela, que descreve no seu livro Jogos Teatrais: “Até que o ponto o orientador de um grupo de crianças e adolescentes deve encaminhar o trabalho para o lado artístico ou até que ponto o ensino artístico é de menor importância, considerando-se que está lidando em primeiro lugar, com uma atividade de caráter formativo?” (KOUDELA, 2011, p. 17).  Mas estou ciente que é um trabalho investigativo em desenvolvimento e em movimento; podem ocorrer mudanças, podem surgir novas idéias e novas linguagens artísticas a serem utilizadas no processo de pesquisa, o/a orientador/a vai me auxiliar a encontrar a questão principal da minha pesquisa, através de suas contribuições e de seus direcionamentos. O estudo das Performances Culturais Arte Educativas não é uma resposta, é uma questão.  A professora pediu que fizéssemos algumas perguntas para nós mesmos, perguntas pessoais, e que não precisava ser sobre a disciplina ou sobre os textos que foram lidos para a aula; as perguntas que fiz me trouxe alguns questionamentos sobre o meu momento atual, percebi que não olhava para dentro de mim a algum tempo; isto me fez pensar que os nossos questionamentos atuais e pessoais podem nos ajudar a encontrar nossas questões sem, necessariamente, trazer as respostas; e que isto nos ajuda a dar encaminhamento para o processo investigativo.
No prosseguir da aula, foi discutido o processo de reconhecimento do sujeito em sua cultura, dentro do processo investigativo. O reconhecimento do sujeito pelo pesquisador, para identificar o que significa e o que compreende, investigando para (re)significar; reconhecer onde existem questões frágeis, que necessitam de intervenções. No caso da arte educação, o educador, reconhecendo os seus sujeitos investigativos a partir de um intento pedagógico, instaure uma intervenção arte educativa,  para que os sujeitos se (re)conheçam, dentro da perspectiva identitária, em busca de sua identidade pessoal e cultural. Através da minha experiência com arte educador em teatro, percebo que o educador deve estar preparado para admitir que não é dono de todas as informações, deve estar preparado para aprender a aprender; e pode vir a repensar suas concepções anteriores; pesquisar a relação entre prática e teoria voltadas para o fazer pedagógico.
Foi citado na aula Victor Turner, que é referência no campo da antropologia, fundador da vertente “antropologia da performance”, pela explicação do professor Rubens Alves sobre Performances culturais, segundo Turner, enaltecendo que o enfoque dos gêneros de performances “tem priorizado os eventos rituais e o teatro como suporte para análise da realidade social”. (SILVA, 2005, pg.36); foi discutido o fato de ter a instauração do drama social como cerne pedagógico, a partir do conflito social;  com a existência do conflito, acontece a ruptura, e depois da ruptura, acontece a (re)significação. No processo de ensino- aprendizagem, o arte educador deve se (re)conhecer como mediador, através da arte, apresentando propostas metodológicas e ações performáticas que provoquem questionamentos e reflexões, despertando o senso crítico do sujeito, e promovendo vivências de (re)significação. Na minha pesquisa, vou investigar crianças, jovens e adolescentes, em vulnerabilidade social, que vivem o drama social, cujo conflito é de opressão e falta de oportunidades.
A questão da percepção cognitiva foi tratada na aula também; analisando que perceber é reconhecer, e percepção é cognição. E o questionamento é peça principal no processo de cognição, com a elaboração do pensamento, em busca da resolução de uma questão.
Outro assunto tratado foi o Teatro Fórum, criado por Augusto Boal (criador do Teatro do Oprimido); onde os expectadores podem participar e interferir na cena, para que seja resolvido um conflito de opressão que está sendo encenado, e é usado como ferramenta política, provocando o público e promovendo reflexões. Foi citado o personagem com características de bufonescas, o curinga, que tem a função de provocador, aproveitando da forma afetada e exagerada, para envolver o público.
Na final da aula, foi proposto que fosse feita uma pesquisa sobre conflito, para que se encontre onde está o conflito do projeto de pesquisa de cada um. Depois dos assuntos tratados na aula,  eu percebi que ainda encontro muitas certezas, e que preciso me basear nas incertezas para não trazer perguntas com suas respostas, mas que eu encontre uma questão principal para ser resolvida na pesquisa que pretendo desenvolver.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais/Ingrid Dormien Koudela – São Paulo: Perspectiva, 2011. _ (debates : 189 / dirigida por J. Guinsburg)
SILVA, Rubens Alves. Entre “artes” e “ciências”: a noção de performance e dramano campo das ciências sociais”. Horizontes Antropológicos, v. 11, n. 4, 2005.
CUNHA, F.P.; ALCÂNTARA, L. M.; OLIVEIRA, S. R. Jonh Dewey e as performances Arte/educativas críticas. 2016