Reflexão pós-aula
17/05
No início da aula a
professora fez uma leitura de um texto de Rubens Alves, que nos trouxe uma
reflexão sobre o tema-problema de uma pesquisa e a iniciação na pesquisa
científica. Para se iniciar um projeto de pesquisa, além da idéia, precisamos encontrar uma questão
a ser respondida, um problema que é o
objeto a ser pesquisado. É um processo de transformação, no qual a pergunta vai acontecendo. Eu sinto uma
certa dificuldade em encontrar o “problema chave” da minha pesquisa, embora já
tenha em mente a idéia do que investigar. Pretendo, através da minha pesquisa, fazer
uma análise da relação entre a importância da formação artística e profissional
de um ator, e a importância do Teatro Educação como instrumento pedagógico que
enfatiza mais o processo de desenvolvimento
e o caráter formativo de um estudante, do que o método de ensino a ser
atingido, com o recorte de um contexto
de vulnerabilidade social; no meu ante projeto, cito Ingrid Dormien Koudela, que descreve no seu
livro Jogos Teatrais: “Até que o
ponto o orientador de um grupo de crianças e adolescentes deve encaminhar o
trabalho para o lado artístico ou até que ponto o ensino artístico é de menor
importância, considerando-se que está lidando em primeiro lugar, com uma
atividade de caráter formativo?” (KOUDELA, 2011, p. 17). Mas estou ciente
que é um trabalho investigativo em desenvolvimento e em movimento; podem
ocorrer mudanças, podem surgir novas idéias e novas linguagens artísticas a serem
utilizadas no processo de pesquisa, o/a orientador/a vai me auxiliar a
encontrar a questão principal da
minha pesquisa, através de suas contribuições e de seus direcionamentos. O
estudo das Performances Culturais Arte Educativas não é uma resposta, é uma
questão. A professora pediu que
fizéssemos algumas perguntas para nós mesmos, perguntas pessoais, e que não
precisava ser sobre a disciplina ou sobre os textos que foram lidos para a
aula; as perguntas que fiz me trouxe alguns questionamentos sobre o meu momento
atual, percebi que não olhava para dentro de mim a algum tempo; isto me fez
pensar que os nossos questionamentos atuais e pessoais podem nos ajudar a
encontrar nossas questões sem, necessariamente, trazer as respostas; e que isto
nos ajuda a dar encaminhamento para o processo investigativo.
No
prosseguir da aula, foi discutido o processo de reconhecimento do sujeito em
sua cultura, dentro do processo investigativo. O reconhecimento do sujeito pelo
pesquisador, para identificar o que significa e o que compreende, investigando para
(re)significar; reconhecer onde existem questões frágeis, que necessitam de
intervenções. No caso da arte educação, o educador, reconhecendo os seus sujeitos
investigativos a partir de um intento pedagógico, instaure uma intervenção arte
educativa, para que os sujeitos se
(re)conheçam, dentro da perspectiva identitária, em busca de sua identidade
pessoal e cultural. Através da minha experiência com arte educador em teatro,
percebo que o educador deve estar preparado para admitir que não é dono de todas
as informações, deve estar preparado para aprender a aprender; e
pode vir a repensar suas concepções anteriores; pesquisar a relação entre
prática e teoria voltadas para o fazer pedagógico.
Foi citado na aula Victor Turner,
que é referência no campo da antropologia, fundador da vertente “antropologia
da performance”, pela explicação do professor Rubens Alves sobre Performances
culturais, segundo Turner, enaltecendo que o enfoque dos gêneros de
performances “tem priorizado os eventos rituais e o teatro como suporte para
análise da realidade social”. (SILVA, 2005, pg.36); foi discutido o fato de ter
a instauração do drama social como cerne pedagógico, a partir do conflito
social; com a existência do conflito,
acontece a ruptura, e depois da ruptura, acontece a (re)significação. No
processo de ensino- aprendizagem, o arte educador deve se (re)conhecer como
mediador, através da arte, apresentando propostas metodológicas e ações
performáticas que provoquem questionamentos e reflexões, despertando o senso
crítico do sujeito, e promovendo vivências de (re)significação. Na minha
pesquisa, vou investigar crianças, jovens e adolescentes, em vulnerabilidade
social, que vivem o drama social, cujo conflito é de opressão e falta de
oportunidades.
A questão da percepção cognitiva foi
tratada na aula também; analisando que perceber é reconhecer, e percepção é
cognição. E o questionamento é peça principal no processo de cognição, com a
elaboração do pensamento, em busca da resolução de uma questão.
Outro assunto tratado foi o
Teatro Fórum, criado por Augusto Boal (criador do Teatro do Oprimido); onde os
expectadores podem participar e interferir na cena, para que seja resolvido um
conflito de opressão que está sendo encenado, e é usado como ferramenta
política, provocando o público e promovendo reflexões. Foi citado o personagem
com características de bufonescas, o curinga, que tem a função de provocador,
aproveitando da forma afetada e exagerada, para envolver o público.
Na final da aula, foi proposto
que fosse feita uma pesquisa sobre conflito,
para que se encontre onde está o conflito do projeto de pesquisa de cada um. Depois
dos assuntos tratados na aula, eu
percebi que ainda encontro muitas certezas, e que preciso me basear nas incertezas
para não trazer perguntas com suas respostas, mas que eu encontre uma questão
principal para ser resolvida na pesquisa que pretendo desenvolver.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais/Ingrid
Dormien Koudela – São Paulo: Perspectiva, 2011. _ (debates : 189 / dirigida por
J. Guinsburg)
SILVA, Rubens Alves. Entre
“artes” e “ciências”: a noção de performance e dramano campo das ciências
sociais”. Horizontes Antropológicos, v. 11, n. 4, 2005.
CUNHA, F.P.; ALCÂNTARA,
L. M.; OLIVEIRA, S. R. Jonh Dewey e as performances Arte/educativas críticas.
2016