terça-feira, 16 de agosto de 2016

Auto-avaliação

A disciplina “Performances Culturais Arte/Educativas”, ministrada pela Prof. Dra. Fernanda Pereira da Cunha, foi de suma importância para dar andamento à minha pesquisa do Mestrado.
As aulas foram  muito proveitosas e significativas no decorrer da disciplina, onde pude aprender muito com a professora e com os colegas, e pude enriquecer meu conhecimento acadêmico na área. As discussões e debates em sala de aula foram muito úteis, com a ótima mediação da professora. Achei muito interessante esta forma de escolha de textos pelos alunos,  para que cada um discorra sobre a leitura dos textos escolhidos, gerando o debate.
Um momento importante pra mim, foi na aula em que expus a leitura analítica dos textos que escolhi; pude expor minhas idéias a respeito do assunto discorrido, e avançar no meu entendimento do que seria o meu projeto de pesquisa, com grande auxílio da professora; e com as ricas interferências dos colegas.
Quanto à professora Fernanda, ressalto a forma competente e rígida de conduzir as aulas e mediar o processo com sabedoria, nos estimulando e nos provocando, para que possamos buscar o melhor de nós para a compreensão e aprendizado.
Quanto ao meu desenvolvimento pessoal, acredito que eu tenha aprendido bastante com esta disciplina, e me senti esclarecido em  diversos aspectos. Se for analisar meu desempenho pelo o que aprendi, considero que eu tenha dito um aproveitamento de 90%;  pois somente um dia não estive presente nas aulas; embora não tenha entregue  todas as minhas leituras analíticas com as reflexões, mesmo que eu tenha lido todos os  textos.  E se for para eu avaliar através de uma nota o meu aproveitamento pelo conhecimento adquirido no curso, me avalio com a nota 9,0.
Muito obrigado! Agradeço à professora e aos colegas!




Artigo arte educação

ARTIGO FINAL
“O Teatro/educação na formação de um ator e na formação integral de um indivíduo sujeito de direitos”
Para se discorrer sobre o assunto “Arte/Educação” será feita uma análise da relação entre a formação artística e profissional de um indivíduo e a importância da arte como instrumento pedagógico. Dentro desta perspectiva de análise, destacando o Teatro Educação, será  enfatizado o processo de desenvolvimento  e o caráter formativo de um estudante, despertando a consciência individual, harmonizada ao coletivo;  no qual, o arte/educador , além de transmitir “saberes”, deve estar atento  ao grito das realidades infanto-juvenis , guiando o educando para a capacidade de assimilar, entender, compreender e descobrir as riquezas que traz em si mesmo e as riquezas do mundo, sendo capaz de fazer a conexão entre o conhecimento adquirido com sua vida prática; sem esquecer da importância da possível descoberta de uma vocação profissional de um jovem por meio do teatro.
A ação transformadora que a arte exerce sobre o indivíduo, traz reflexões e questionamentos, podendo proporcionar a possibilidade da melhoria da qualidade de vida dos educandos e de suas famílias, ampliando a acesso à informação e à autonomia sobre seus direitos e deveres. Considera-se, na maioria das vezes, que em situações de vulnerabilidade social, o mais importante é somente a ampliação das possibilidades de participação  sócio-cultural do indivíduo em caráter formativo. No entanto, vale a pena ressaltar que crianças, adolescentes e jovens que se encontram nessa situação, em que o acesso à arte e à cultura é restrito, necessitam da experiência de ter contato com apresentações artísticas durante o processo de aprendizagem guiado pela Arte Educação, para que possa aprender a apreciar a arte e se beneficiar de seus reflexos. Esse contato possibilita à criança, ao adolescente e ao jovem  apurar  a sua sensibilidade para a melhor compreensão do mundo e de si próprio, e para o desenvolvimento do seu senso crítico. Por outro  lado, é fascinante perceber quando um/a jovem em condições sócio-culturalmente menos favorecidas, assistido pela a Arte Educação em Teatro, descobre que “quer” e “pode” tornar-se ator/atriz; sendo que, antes deste contato com a Arte/educação nunca teria imaginado que o Teatro possui várias possibilidades no campo de atuação profissional; pode ser a descoberta de um talento que possibilita uma carreira. Da mesma maneira, é fascinante perceber um/a jovem nessas mesmas condições, que não se interessa em trabalhar com o Teatro, mas consegue por meio do Teatro Educação, ampliar a sua visão do mundo além do cotidiano e as possibilidades da formação de seu pensamento crítico, se conscientizando do seu "protagonismo", se vendo como agente sujeito de direitos. São considerações que ratificam o Teatro Educação pode ser um importante recurso para a sua formação integral de uma pessoa.
Entretanto, questiona-se muito  até onde o arte educador deve encaminhar o processo para o lado artístico ou até que ponto o ensino artístico é de menor importância, podendo não apenas discutir o tema e tentar solucionar a problemática, mas (re)significar as concepções sobre a formação integral, através da contribuição do Teatro. Analisar  e pesquisar sobre este tema possibilita uma reflexão sobre até onde a qualidade artística, no processo formativo da pessoa, contribui para potencializar a forma de expressão e apurar a sensibilidade e, em alguns  casos, despertar a possibilidade de uma carreira profissional nas Artes Cênicas.
Compreende-se que o Teatro/educação tende a provocar mudanças importantes nos educandos, uma transformação individual que reflete num todo; ou seja, na experiência como aprendiz de teatro, ou na condição de sujeito que visa um mundo melhor, independente da formação profissional na área. Sendo assim, pesquisar sobre o Teatro/educação e sua funcionalidade como constituição do sujeito, pode  possibilitar, além da compreensão do processo e sua interface com a transformação social, auxiliar o arte/educador no seu fazer, para que possa proporcionar reflexões para a sociedade.

Qualidade Artística e o Caráter Formativo
 Dentro da perspectiva da relação entre qualidade artística e o caráter formativo, vale destacar  Ingrid Dormien Koudela,  que questiona “Até que ponto o orientador de um grupo de crianças e adolescentes deve encaminhar o trabalho para o lado artístico ou até que ponto o ensino artístico é de menor importância, considerando-se que está lidando em primeiro lugar, com uma atividade de caráter formativo?” (KOUDELA, 2011, p. 17). Por outro lado, é importante ressaltar que a qualidade artística, por meio da técnica e da estética, deve ser levada em conta, dentro do processo de aprendizagem, independentemente de se formar atores/atrizes e/ou sujeitos de direitos. Segundo Koudela (2011), a importância educacional reside em sua natureza intrínseca, sem precisar de justificativas; como a potencialidade do Teatro no desenvolvimento intelectual, social e afetivo do indivíduo.  Como descreve Koudela (2011)
A concepção predominante em Teatro Educação vê a criança como organismo em desenvolvimento, cujas potencialidades se realizem desde que seja permitido a ela desenvolver-se em um ambiente aberto à experiência. O objetivo é a livre expressão da imaginação criativa. Na visão tradicional, o teatro tinha apenas a função de preparar o espetáculo, não cuidando de formar o indivíduo.( KOUDELA, 2011, p. 18).
Entende-se que o arte/educador deve estimular o educando a pensar, trazendo provocações e questionamentos, sem a imposição de um pensamento, incentivando-o à formação da sua consciência individual, em relação ao mundo e a si próprio. O desenvolvimento do senso crítico de um estudante, está diretamente ligado à formação do “ator social”, sujeito de direitos e deveres, presente e influente na sociedade em que se encontra através de seu drama social, e em busca das transformações necessárias para um mundo melhor. Victor Turner, que é referência no campo da antropologia, fundador da vertente “antropologia da performance”, enaltecendo que o enfoque dos gêneros de performances prioriza os eventos rituais e o teatro como suporte para análise da realidade social; quando se instaura o drama social como cerne pedagógico, a partir do conflito social;  primeiramente, o surgimento da crise, depois a intensificação da crise, depois a reparação, e depois a ruptura com a (re)significação. No processo de ensino-aprendizagem, o arte educador deve se (re)conhecer como mediador, através da arte, trabalhando  ações performáticas e promovendo vivências de (re)significação.
No artigo  “Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras”, escrito no final dos anos de 1980, a autora Ana Mae Barbosa relata que a década dos anos 80 é identificada com a década da educação imposta pela ditadura militar. Sendo assim, os arte/educadores da época tinham como objetivo de seu ensino, o desenvolvimento da criatividade como espontaneidade,  era compreendido como senso comum da criatividade, e nunca tinham ouvido falar sobre auto expressão ou educação estética. Segundo Barbosa, “A mais corrente identificação da criatividade com auto liberação pode ser explicada como uma resposta que os professores de arte foram levados a dar para a situação social e política do País.” (BARBOSA, 1989, pg. 171). A época que Ana Mae escreveu este artigo, era um momento meio nevrálgico na arte educação; dentro desta perspectiva, pode-se citar a arte educação modernista e a arte educação pós-modernista, que são momentos bem demarcados;  isso não quer dizer que hoje não exista educadores modernistas  na sua estrutura e no seu modo de expressar; ou artistas em tempos do modernismo que eram  pós-modernistas na forma de expressar a sua arte; a  diferença essencial é que a arte/educação no modernismo tem o conceito do aperfeiçoamento do “dom” que a pessoa nasce, é direcionada mais à elite e se preocupa com o que se coloca à apreciação  sem a discussão do conceito do que é arte, e cujo comprometimento é tirar do artista aquele artista que está dentro dele, não trabalhar o universo externo porque pode trazer uma certa impureza. Já o pós-modernismo tem uma preocupação voltada mais para campo social e político; onde o comprometimento é formar sujeitos politizados e com pensamento crítico das coisas, e da realidade do mundo que o rodeiia, sendo capaz de uma atuação com seu protagonismo na sociedade.
A qualidade artística de uma ação, além da técnica, está embasada no processo e sujeito à transformações até que se conclua. Mas o que é considerado uma encenação teatral de qualidade artística? Richard Schechner avalia que:
“Alguns grupos e artistas fornecem formalismo, outros realismo-naturalismo nos seus limites cotidianos; alguns apresentam complexas histórias sociais e políticas; alguns celebram modos de vida e orientações sexuais alternativas; alguns promovem a criatividade coletiva e os trabalhos planejados em grupo; outros reiteram a visão única de autores. Esta diversidade e qualidade caracteriza tanto os grupos e artistas mais novos como os já es­tabelecidos. Novos artistas chegam à cena, muito bem treinados, meditativos e equipados para apresentar trabalhos soberbos que me­recem atenção e aplauso”(SCHECHNER, 2013, p. 182).
Tanto os atores/atrizes, como os expectadores envolvidos em uma apresentação artística participam de um processo pessoal e são tocados e modificados, de alguma forma, por esta experiência. Daí a importância da qualidade artística,  no trabalho do arte/educador de ensinar Teatro e desenvolver trabalhos artísticos apresentados no final do processo, com um intento pedagogico, que leva em conta as necessidades e interesses de cada indivíduo em formação, utilizando-se das necessidades particulares dos estudantes ou da sociedade para formular seus objetivos.

O Teatro/Educação e as Performances Culturais
As fontes primárias são essenciais para o estudo e a compreensão do Teatro/Educação e das Performances Culturais. Dentre estas fontes,  está a obra de Paulo Freire, o autor da “pedagogia do oprimido”, com foco no humano e no social, tendo como objetivo uma educação que ensine o educando a “ler o mundo” e transformá-lo, agindo a favor da própria libertação. É uma  fonte que merece ser sempre revisitada, para o estudo e a pesquisa em Arte/Educação.
Para o estudo das  Performances Culturais  se realize, é necessário instaurar um drama social, um conflito pedagógico e não repetir os autores, mas usá-los como fonte para a pesquisa; constituir o tema problema,  o cerne da questão; e a avaliação de Arte/Educação é a resposta de um problema instaurado, um pensamento constituído. Pode-se ter como base primária neste estudo a obra de Richard Schechner. Segundo este autor, as encenações teatrais e as performances são fundamentalmente processuais, como descreve:
(...) sempre terá uma parte dessas atividades que estará em transformação, categoricamente não definíveis. Mas todas as performances – definíveis e indefiníveis – compartilham pelo menos uma qualidade: o comportamento em performance não é livre e fácil.” (SCHECHNER, 2011, p. 156).
Os argumentos de Schechner explicitam a complexidade da performance, como expressão de libertação, mas ao mesmo tempo cuidando-se da técnica da arte como ação transformadora. Por outro lado, percebe-se que na visão tradicional a função do Teatro era apenas montar espetáculos, não se preocupando com a formação do indivíduo como sujeito social. Trinta anos atrás, o Teatro/Educação ocupava um campo marginalizado no meio acadêmico; até no próprio sistema de ensino, apesar de uma lei que dava abertura para a o teatro nas escolas, dentro da disciplina de educação artística, como atividade extra-curricular (BELINKY, apud KOUDELA, 2011).
O  antropólogo, filósofo e psicólogo Milton Singer foi o primeiro a designar um conceito de Performances Culturais, mas que para chegar neste conceito ele não só estudou, como vivenciou e experimentou os objetos de pesquisa, para chegar na elaboração deste conceito; que primeiramente está inserido numa proposta metodológica inter disciplinar, que pretende o estudo comparativo das civilizações.

O Ruído e o Grito das Realidades Infanto-Juvenis
No artigo “Sismologia da Performance: Ritual, Drama e Play na Teoria Antropológica”,  autoria de Jonh C. Dawsey,  é destacada a questão do “ruído”, uma área interdisciplinar dentro de uma disciplina interdisciplinar.  O “ruído” é tudo que está à margem e não está na mesma freqüência, que destoa dentro de um contexto; é o que causa inquietações e provocações,  para que se faça algo para transformar e (re)significar. Segundo Dawsey “(...) estudos de performance demonstram um interesse marcante por elementos estruturalmente arredios: resíduos, rasuras, interrupções, tropeços e elementos liminares. Ruídos” (Dawsey, 2007). O “drama social”  se encontra no “ruído”, que é o cerne da questão e onde se encontram os conflitos  e  os estranhamentos, é o que precisa ser investigado.
Para que se desenvolva uma ação educativa através do Teatro/Educação, é necessário que o arte/educador  esteja atento ao "grito das realidades infanto-juvenis” , trazendo perguntas importantes a partir dos conflitos  e questionamentos quanto ao contexto que vivem, em busca de encontrarem  respostas ao desejo de se conhecer melhor e conhecer melhor seu meio. Neste lugar também se encontra o “ruído”,  e é onde está instaurado o “drama social”. O educador deve ter o comprometimento de possibilitar que seus educandos potencializem suas capacidades e suas forças, dentro de uma educação libertadora, possibilitando uma formação que favoreça a atuação nas esferas sociais, mas também na formação como ser humano singular dentro de  uma coletividade.
O processo de ensino-aprendizagem não deve ser focado somente no desenvolvimento intelectual; mas também, no desenvolvimento das emoções, no conhecimento pessoal, na expressão de seus sentimentos, no confronto de idéias, para estimular a formação do pensamento crítico. Trata-se de ajudar este educando a descobrir o mundo em que vive e seu papel nele, como sujeito de direito; estimular  a capacidade de analisar a sua realidade. Segundo Rubem Alves: “Só aprendemos aquelas coisas que nos dão prazer e é a partir de sua vivência que surgem a disciplina e a vontade de aprender”.
Percebe-se, atualmente, que o teatro se constitui uma volta ao coletivo, são formados grupos de estudos e pesquisas para reflexão sobre a arte como agente de transformação social. É gratificante se dar conta de que, boa parte de adolescentes e jovens podem se descobrir como artistas no processo de Teatro/Educação; cujo resultado é a possibilidade de dar continuidade no trabalho teatral, depois de passarem por um processo de Teatro/educação; além do despertar para o auto conhecimento, e o conhecimento de sua realidade sócio-cultural..
A metodologia  Educação Popular criada e desenvolvida por Paulo Freire; tem servido para a atuação das organizações dos movimentos sociais e populares conforme a necessidade e a realidade, buscando respostas para seus “gritos” e “ruídos”; e deve ser usada para a restauração da auto estima, priorizando o protagonismo do educando, para que este saia da condição de dependente e seja sujeito de sua ação e participação.

O Ator Teatral e o Ator Social
O ato de se tornar ator/atriz é visto em diferentes aspectos. Como descreve Odette Aslan, no prefácio da sua obra “O Ator no Século XX, “há poucas publicações sobre o trabalho do Ator, ele mesmo explica mal o seu processo de pesquisa, a utilização consciente de seus limites.(...) O que faz o ‘ator’? O que faz um ator durante cada fase do jogo teatral? Aprende-se atuar? Qual o destino do ator na sociedade do futuro? São muitas perguntas para as quais não se tem resposta definitiva”.  Estas são perguntas freqüentes para quem decide optar por este ofício, para Aslan, é um exame das relações entre o ator e a sociedade. A autora também considera a função do professor de Teatro, descrevendo: “... O professor deve contentar-se em orientar, guiar, retificar, adaptar. Não deve considerar-se o Mestre detentor da verdade, mas apagar-se diante do aluno e do papel.” (ASLAN, 2010, p. XVII -XVIII.). Segundo Brecht, o ator deve se preocupar com seu comportamento na sua profissão e na sua vida, “onde a ética condiciona a técnica”. Sendo assim, cabe ao ator envolver-se com as coisas do mundo como forma de imprimir no teatro uma postura política de atuação. Para o autor, o Teatro ao mesmo tempo que serve de entretenimento, deve levar o expectador à reflexões importantes sobre o mundo, funcionando como um instrumento pedagógico, contribuindo de maneira única para a experiência individual e a compreensão do homem (apud ASLAN, 2010).
Entende-se que o objetivo do Teatro como Arte/Educação é de âmbito social e educativo, e não profissionalizante. Mas é real que a possibilidade que um despertar para uma profissão pode acontecer dentro de um processo arte/educativo voltado para o social, com crianças, adolescentes e jovens, que vivem dentro de um contexto de vulnerabilidade social. Onde são abertos horizontes e possibilidades para que este educando se desperte profissionalmente, e vai em busca de um curso para se profissionalizar; além da formação humana dentro de um coletivo.
Este enfoque, já é suficientemente desafiador para uma reflexão sobre o tema proposto. Compreende-se que o Teatro/Educação provoca mudanças importantes nos sujeitos. Uma transformação individual que influencia um todo; seja na experiência como aprendiz de Teatro, ou como um indivíduo que visa um mundo melhor, independentemente da formação profissional na área, enfatizando todo o processo, e tirando a arte do Teatro da condição de atividade supérflua.
É  importante ressaltar que nem todo ator teatral cumpre a função de um ator social, e vice-versa. Na formação profissional de um jovem ator, deve se levar em conta que o artista é um formador de  opiniões; e através de seus trabalhos, ele tem a função de provocador de uma reflexão sobre determinado assunto, e deve expressar sua arte expondo conflitos humanos e dramas sociais, em vez de  puro entretenimento. O ator social é o sujeito que atua na sociedade, através de seu protagonismo,  contribuindo para a identificação e (re)significação de um “drama social”, favorecendo a inclusão social. O Teatro/Educação tem função essencial na formação do ator social e do ator teatral.
A cultura massiva educa o aluno para não perguntar, pois o educador  já chega com respostas e não problematiza as questões; a problematização faz com que o aluno forme seu pensamento. Muitas vezes, as pessoas são educadas para dar valor ao que vem de fora, para assimilar e repetir outras culturas. É de suma importância, que a educação se baseie na  realidade vivenciada pelo educando, para que ele possa se compreender melhor e o seu mundo, criando e/ou potencializando suas forças, para a construção de um mundo melhor; seja ele, um profissional do Teatro ou um sujeito protagonista de suas ações na sociedade.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ASLAN,  Odette. O Ator no Século XX: evolução da técnica, problema da ética / Odette Aslan; (tradução Rachel Araújo de Baptista Fuser e J. Guinsburg), - São Paulo : Perspectiva, 2010. – (Estudos ; 119 / dirigida por J. Guinsburg)
BARBOSA, A.M.  Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. In Estudos Avançados. São Paulo, 1989. 3(7) pgs.170 a 182.
DAWSEY, J. Sismologia da Performance: Ritual, drama e play na Teoria Antropológica. Revista de Antropo, USP 2007 V50 número 2.
KOUDELA, Ingrid Dormien. Jogos Teatrais/Ingrid Dormien Koudela – São Paulo: Perspectiva, 2011. _ (debates : 189 / dirigida por J. Guinsburg)
SCHECHNER, Richard. Vanguarda Conservadora. Cadernos de Campo, no. 22, 2013, pgs. 180-192
SCHECHNER, Richard. Performers e Espectadores: Transportados e Transformados. In Revista Moringa Artes do Espetáculo. Vol 2. N1 (2011)



Plano final da Intervenção Arte/Educativa:

“Selfiejornalismo e o Teatro Educação”


Público: Crianças e adolescentes estudantes da rede pública, na idade de 12 a 16 anos

Primeiro encontro (aula com duração de 2:30 h):
- Apresentações pessoais
- Alongamento
- Aquecimento corporal (dinâmicas e jogos teatrais)
-  Roda de conversa sobre o teatro, as selfies, e a realidade sócio cultural de cada participante (depoimentos  sobre assuntos que consideram problemas dentro do contexto sócio-cultural de cada um)
- Divisão da turma em grupos, cada grupo vai eleger “problema” mais importante a ser tratado, trazidos pelos participantes de cada grupo para ser encenado na aula.
- Encenações improvisadas dos temas escolhidos por cada grupo,  e um participante escolhido de cada grupo irá fotografar com o celular a performance com características de fotojornalismo.
- Sugestão para o segundo momento: Cada participante irá fazer uma selfie com o próprio celular, onde o contexto da fotografia, como pano de fundo, será o próprio ambiente em que cada um vive e, se possível, mostrar uma questão considerada um “problema social” no contexto sócio/cultural de cada participante.

Segundo encontro (duração de 2:30 h):
- Alongamento
- Aquecimento corporal (dinâmicas e jogos teatrais)
- Apresentação da selfies de cada um pra a turma inteira, e cada participante irá falar sobre que “problema” escolheu para fazer sua selfie.
- Trabalhar as encenações realizadas no primeiro momento (aplicação de técnicas teatrais e ensaios).

Terceiro encontro (aberto aos familiares e convidados dos alunos):
 - Abertura da exposição fotográfica “Selfie realidades”.(Fotos produzidas pelos estudantes dentro das suas comunidades)
- Apresentações teatrais das cenas montadas a partir do foi desenvolvido  no primeiro e no segundo encontro

Quarto encontro (duração 1:30 h):
- Roda de conversa com os educandos sobre tudo que foi discutido e realizado na Intervenção Arte/Educativa:“Selfiejornalismo e o Teatro Educação”



terça-feira, 19 de julho de 2016

Reflexão pós-aula 21/06
Nesta aula, o nosso colega João Marcos fez  a exposição de suas reflexões sobre o texto Sismologia da Performance: Ritual, Drama e Play na Teoria Antropológica, de Jonh C. Dawsey, escolhido por ele. João começa destacando a questão do “ruído”, diz que é o que está à margem, uma área interdisciplinar dentro de uma disciplina interdisciplinar. No meu ponto de vista, o ruído é tudo que não está na mesma freqüência, que destoa dentro de um contexto; é o causa inquietações e isto nos fazer sentir provocados,  para que façamos algo para transformar e ressignificar este “drama social”; o problema se encontra no ruído, que é o cerne da questão e onde estão os questionamentos e os estranhamentos, e o que precisa ser investigado.
A professora provoca João Marcos,  com o questionamento: Como compreender os ruídos que são deixados no ciberespaço, através do consumo do produto do canal Porta dos Fundos (objeto de pesquisa de João)? E o que isto revela?  Ressalta-se  que é necessário calcular o lugar olhado das coisas e o lugar sentido das coisas, pois estão conectados. Considerando a performance como campo liminar pela fragmentação das relações e do acabamento das coisas e dificuldade de significar o mundo;  João Marcos se pergunta: Será que essa dificuldade de significar o mundo não se daria por causa de uma falta capacidade critica de se ler e de se entender o mundo?
João acredita que o conceito de play abrange mais do que o conceito de jogo,  analisando os conceitos de ritual, drama e play. Como identificar estes momentos de suspensão nos dias de hoje, quando o drama traz o teatro do cotidiano e a suspensão de papéis? E qual suspensão pode se promover pela apreciação estética digital? Os elementos do drama social (crise, ruptura, estabelecimento do problema, e a reparação) devem ser levados em conta para toda esta análise e identificação do problema.
 O momento político atual do Brasil foi outra questão levantada por João; pela falta de condições para se tomar decisões definitivas; pode se dizer que, estamos num processo de suspensão; por outro alado, a professora esclarece que é preciso entender este momento para entender a questão; vai depender do ponto de análise para saber se há uma crise e se está acontecendo uma suspensão de papéis, fundamentando e recortando este possível conflito.
A professora destaca que a sismologia da performance parte do ruído, o conflito é um ruído, os ruídos mais interessantes são os produzidos pelas próprias performances, nos momentos de interrupção da vida cotidiana. Ela lança o seguinte questionamento para o nosso colega João: O que vai conceber como ruído no Porta dos Fundos promovido pelo ciberespaço? Segundo a professora, é preciso estabelecer critérios para identificar estes ruídos, e calcular o lugar sentido das coisas (a cultura digital); considerando que a percepção crítica pode ser provocada, e intensifica com o estabelecimento do intento pedagógico; é importante  analisar  se a consumação estética do Porta dos Fundos reflete o drama, no mundo “líquido” cibernético. Seria a falta de criticidade? Como isso é consumido? Como estará sendo fluido esse ruído no mundo digital  através desse produto?Estas perguntas serão respondidas através da pesquisa realizada.
Uma sugestão da professora é que todos façam uma estrutura de análise do objeto de pesquisa de cada um, pelas performances culturais, pensando no ruído e no drama social, é necessário intensificar o conflito para o estudo de pesquisa,  considerando a crise, a intensificação da crise, a ruptura e a reparação, num determinado contexto social; numa sociedade  “adoecida”, não se intensifica e nem se vive a crise, que é o ponto agudo do cerne da questão.
Uma questão foi colocada na aula por uma colega, quando ela faz uma interpretação de ruído de uma outra forma; e diz que , no seu ponto de vista, ruído não é a mesma coisa que conflito, ela entende que os ruídos são as sobras e o que sai do controle. A professora explica que o controle é exatamente o oposto do conflito, quando os dominadores/controladores perdem o domínio encontra-se o conflito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DAWSEY, J. Sismologia da Performance: Ritual, drama e play na Teoria Antropológica. Revista de Antropo, USP 2007 V50 número 2.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Reflexão pós-aula 14/06
Na aula deste dia, a nossa colega Sarah fez a exposição de suas reflexões sobre os textos de sua escolha. Ela inicia falando sobre “Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal”, tese de Doutorado em Educação e Sociedade de Tânia  Márcia Baraúna Teixeira. Sarah começa falando da importância de Paulo Freire e o Teatro do Oprimido; e cita os dois questionamentos dos problemas da investigação lançados pela autora da tese, sobre os elementos da Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, que defende a necessidade de transitividade no ensino, e o Teatro do Oprimido de Augusto Boal, que enfatiza esta transitividade.
Segundo Sarah, que a leitura do trabalho de Paulo Freire tem sido deixada de lado pelos arte educadores, acreditando já o conhecerem bem; mas ela ressalta que a autora da tese acredita que a releitura da obra de Paulo Freire ajuda muito no trabalho dos pesquisadores, pois as fontes básicas são muito importante na investigação. A professora Fernanda ressalta que os alunos de pesquisa, que na maioria são jovens,  tem a tendência de pensar que o seu projeto de pesquisa é totalmente inovador, e menosprezam a fonte, que é a condição essencial da pesquisa; sendo que o aperfeiçoamento de uma fonte primária que é a inovação; pois não se inventa o que já foi inventado; e se a USP recomenda revisitar Paulo Freire, entende-se que é necessário, ele é um autor complexo, mas “o que parece ser complexo é simples”.  Sarah cita que existem pessoas que dizem que Paulo Freire já está ultrapassado, mas ela afirma que se ele já estivesse mesmo ultrapassado, o Brasil estaria numa condição bem melhor. Eu acredito totalmente na bela contribuição de Freire para a educação, com foco no humano e no social;  suas  fontes me servem de inspiração, seu embasamento serve de ponto de partida para o meu trabalho como arte educador em Teatro.
Sarah aborda os três tipos de intervenção social citada na tese: a intervenção sócio política educativa, a intervenção social no processo educativo, e a intervenção social educativa/didática/abordagem; ela acredita que elas se misturam, e que a diferença está no intento pedagógico; e esta mistura sem objetivo se perde. A professora afirma que não tem como  pesquisar uma performance de natureza epistemológica sem um intento pedagógico; não se pode perder o problema em nenhum momento do trabalho de investigação, o problema sempre tem que ser a raiz numa pesquisa.
O Teatro Fórum foi abordado por Sarah em sua exposição na aula, ela acredita que Boal o aprimorou para o Teatro do Oprimido; onde o expectador se torna ator e tem a autonomia para participar da cena e transformá-la. Ela cita também o Teatro Imagem, no qual se pretende falar através do corpo, produzindo imagens na maneira como se movimenta o corpo que, às vezes, fala mais que as palavras; trabalhar com a leitura de imagens  no processo educativo, com adolescentes que super valorizam a imagem, é muito produtivo.
 A professora Fernanda dá orientações sobre as Performances Culturais com relação ao projeto da Sarah (a pedido dela). Ela começa dizendo que devemos sair da zona de conforto e pesquisar as fontes que podemos estudar e aprender;  ela diz que a Sarah antes se via mais como artista do que arte educadora, mas através da orientação, percebeu que foi muito importante ir até às fontes primárias no conflito entre Boal e Freire, e também as leituras feitas sobre Performances Culturais, pois  deu a capacidade de visualizar as imagens do tema problema (o conflito) e se apropriar das performances, se utilizando também da abordagem triangular; e lança o questionamento: Qual é a epistemologia das Performances Culturais e da Arte/Educação? Segunda a professora, é necessário instaurar um drama social, um conflito pedagógico e não repetir os autores, mas usá-los como fonte para a pesquisa; constituir o tema problema e perceber que zona de “desconforto” se instaurou, aí está o cerne; e a avaliação de Arte/Educação é a resposta de um problema instaurado, um pensamento constituído. Quanto ao Teatro do Oprimido, ao Teatro Imagem e ao Teatro Fórum; ela ressalta que é teatro que se faz junto com o expectador, em coletividade; e o coringa do Teatro Fórum pode potencializar o Teatro Imagem; ele potencializa o meta-conflito, a meta-imagem nas performances arte/educativas; de forma a perceber o conflito do outro e ensinar o outro a pensar.
Sarah relata a importância que é chegar em qualquer lugar e trabalhar o teatro com pessoas que nunca vivenciaram o teatro, e recriar com estas pessoas. Destaca que Boal está mais preocupado com a prática urgente da realidade; na experiência do Teatro Fórum, a pessoa tem que levar para a sua realidade cotidiana, a função do mediador é de suma importância, a relação do coringa com os participantes (comunidade), e sem a participação do público a experiência não acontece.
Outro texto escolhido por nossa colega Sarah , para ser discutido na aula e expor suas reflexões, foi  O Jogo de Richard Schechner.  Ela vê o “jogo” como algo central para as Performances Culturais, e não é a mesma coisa que “ritual”, é a erupção espontânea que é despertada. A professora ressalta que tem que existir o sensível com criticidade, não o sensível que te faz chorar sem saber o porquê,  com o significado e diretrizes de cada jogo, para trazer qualidades estéticas para seu trabalho com Teatro/Educação,  situando e delimitando, e  pensar na estratégia para sua realização. Ela acredita que muitas vezes na arte/educação nos propomos a jogar (construção de conhecimento); e o ato de brincar pela imaginação não prepara o educando para realizar leitura  crítica, fazer a leitura de imagem; o Play (brincar no sentido lúdico) proporciona o posicionamento crítico e estético sobre algo.
Sarah também cita a relação entre experiência, perigo e ritual (ritos de passagem); passar pelo risco para chegar ao conflito/drama social;  o ritual precisa sempre ser encenado e todo jogo encenado é performático, não precisa ter regras, elas podem ser criadas durante o jogo.
Eu me identifico bastante com o projeto de pesquisa na nossa colega Sarah, acho que pelo fato de eu usar elementos do Teatro do Oprimido no meu trabalho, como arte educador em Teatro com pessoas que vivem num contexto de vulnerabilidade social.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TEIXEIRA, Tânia Márcia Baraúna. Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal. 335f. Tese (Doutorado em Educação e Sociedade) – Departamento de Pedagogia Sistemática e Social, Universidade Autônoma de Barcelona (U.A.B.), 2007.

SCHECHNER, Richard. O Jogo. In LIGIERO, Zeca. Performance e Antropologia de R. Schechner. RJ: Mauad, 2012.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Reflexão pós-aula 07/06
Nesta aula, eu fui designado para expor os textos escolhidos por mim. Comecei falando sobre minhas experiências práticas na arte educação em teatro,  na minha pouca experiência teórico-acadêmica,  na dificuldade que tenho para encontrar a problemática do meu projeto de pesquisa para o mestrado, tendo que  me desconstruir e esvaziar  das minhas certezas para me construir melhor como pesquisador.  A professora ressaltou a importância da oportunidade de cada um de nós  ter este espaço aberto para expor nossas questões para a turma toda, pois a pesquisa do outro pode ajudar a sua pesquisa.
Iniciei a expondo as minhas reflexões sobre o texto “Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras”, de Ana Mae Barbosa. A escolha deste texto foi pelo fato de ter sido escrito no final dos anos 80, e o primeiro questionamento que eu trouxe é se a situação dos arte educadores no Brasil mudou muito daquela época para os dias de hoje, pois acredito que ainda há um pensamento de que a educação artística é uma disciplina considerada secundária, sem levar em conta a formação integral do indivíduo através da arte com sua ação transformadora; no meu caso, o teatro. Levantei a questão de que o Teatro, em relação a outras artes, ainda sobre bastante preconceito, até mesmo dos pais dos alunos que consideram uma atividade menor e sem expectativa de futuro para seus filhos, ainda mais no contexto em que tenho mais experiência; que é o trabalho com crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade social. Então, trago meu segundo questionamento: Como mudar esse pensamento de que o teatro não tem tanta importância na educação integral de um aluno?Apesar dos pais perceberem a mudança dos filhos depois que começaram a fazer teatro na escola, e compartilharem essa melhora, inclusive no convívio familiar.
Cito um trecho (pg.170) em que a autora fala que no currículo estabelecido em 1971, eliminaram filosofia e história; eu penso que naquela época era proibido pensar, ter um pensamento próprio, principalmente se esse pensamento fosse contra o regime da ditadura, e a filosofia faz pensar, a história faz analisar. Naquela época, as universidades ofereciam o curso de Licenciatura em Educação Artística, com duração de apenas dois anos; e os educadores formados ministravam aulas de dança, música, teatro, desenho artístico e desenho geométrico.
Outro assunto que questionei foi a avaliação de um trabalho artístico realizado pelo aluno; eu considero que o processo seja mais importante que o produto final, porque se o processo foi rico e proveitoso, o resultado final também será bom; penso que seria mais indicado avaliar a dedicação e o desempenho; uma avaliação mais aprofundada cabe ao crítico de arte especializado, que não vem ao caso dentro de um processo de ensino aprendizagem.
A apreciação artística  foi outra questão que eu trouxe na aula. Como preparar alguém para saber apreciar uma obra de arte? Seja um objeto, uma imagem, uma peça teatral, uma música, uma manifestação artística. É importante  o estudo teórico, a história da arte; mas isto não novo interferir diretamente no processo criativo do aluno e na sua liberdade de expressão; eu penso que o arte educador deve mostrar caminhos e funcionar como um provocador, além de passar conhecimentos teóricos, estimular a criatividade, sempre respeitando as diferenças e os potenciais de cada um; tudo isso vai interferir para o desenvolvimento do senso crítico do  aluno.
Eu pontuei outro fato no texto, quando a autora relata que no início dos anos 80, surgem as Associações de Arte Educadores no Brasil (pg. 174). Estas associações serviam para lutar por melhores condições de ensino de arte, e para mediação com as Secretárias da Educação e Cultura, e na preparação política dos professores de arte par que não houvesse a manipulação governamental sobre os arte-educadores.  Então questiono: Como estão estas associações nos dias de hoje e como está a situação atual dos professores de arte? Como estão os programas de mestrado e doutorado nesta área? A professora explica que nesse momento que começam a surgir as associações,  a arte educação moderna começa a dar lugar para a arte educação pós-moderna, com a relação com a politização e atuação de um professor mais político, com o compromisso social.
Depois da exposição do texto a professora me faz a seguinte pergunta: De tudo que você está perguntando qual a pergunta que fica mais alta dentro de você? Percebo que o meu maior questionamento é bastante genérico e amplo, e preciso de um recorte para direcionar minha pesquisa, e trazer o meu conflito/drama social entrando no cerne do meu problema e me preparar melhor como arte-educador. Sinto a necessidade de transformar minha experiência prática (teatro educação para estudantes que vivem num contexto de vulnerabilidade social) em conhecimentos acadêmicos. A professora sugere que eu afirme o meu intento pedagógico no processo de identificação do meu aluno, instaurando um drama social real, e começar a estudar imediatamente as questões que trago.
Outra questão esclarecida pela professora, a partir das questões e reflexões que eu trouxe pela leitura do artigo, é sobre uma marca muito importante na arte educação: A arte educação modernista e a arte educação pós-modernista, que são momentos bem demarcados.Na época que Ana Mae escreveu este artigo, na década de 80, era um momento meio nevrálgico na arte educação, isso não quer dizer que hoje não exista educadores modernistas; e isso não quer dizer que não haja um artista contemporâneo que é modernista na sua estrutura e no seu modo de expressar; ou artistas em tempos do modernismo que são pós-modernistas; ela completa, que a  diferença essencial é que no modernismo tem o conceito do “dom” que a pessoa nasce, é direcionada mais à elite e se preocupa com o que se coloca à apreciação  sem a discussão do que do conceito do que é arte; também na arte educação modernista não tinha este comprometimento,  mas um outro comprometimento, que “é tirar do artista aquele artista que está dentro dele, não trabalhar o universo externo porque pode trazer uma impureza e atrapalhar aquele artista que está dentro dele. Já o pós-modernismo tem uma preocupação voltada mais para campo social e político.
Neste momento a professora cita o exemplo do fotojornalismo, pelo fato de eu ser graduado em Comunicação Social e já ter trabalhado como fotógrafo, lançando as seguintes perguntas: Como posso trabalhar fotojornalismo com meu aluno de teatro? Como utilizar a fotografia numa produção cênica? Como o fotojornalismo pode promover o desenvolvimento consciente e ações qualificadas? Isto já é uma ação integradora, em que posso oferecer uma educação questionadora e provocativa.  Ela sugere para meu projeto de pesquisa que eu faça recortes para o meu objeto, especificando a faixa de idade dos adolescentes, o contexto e o drama social. As sugestões que a professora traz para são muito importantes para que eu trace um rumo melhor para minha pesquisa, com recortes mais adequados e com a possibilidade do uso de outras linguagens artísticas, com qual tenho experiências, para que o meu projeto de investigação se torne mais rico.
O ensino intuitivo foi outro assunto tratado na aula;  é um método por  excelência, que acontece em 1700, em que a base era ensinar o cientificismo, a educação pelo olhar; era mais importante para eles que a criança entendesse o que era a  “coisa” e não o nome da “coisa”; para trazer este rigor  na educação científica, o desenho vai ser o alicerce de tudo; desenho ao ar livre, trabalhando o objeto com o máximo do rigor possível, para criar aquele olhar científico; associado com o modelo desta educação que o Brasil vai estar trazendo dos Estados Unidos, só que lá acontecia uma grande reforma no ensino e o desenho industrial era muito importante naquele momento; o Brasil queria trazer esse desenvolvimento que acontecia nos outros países, então foi adotado o modelo aqui; que foi de suma importância para a história da arte educação.
Na minha exposição, eu citei o fato de professores de educação física ensinando educação artística nas escolas;  a professora ressalta a capacidade individual de cada pessoa para ensinar arte, independente de sua formação, me lançando uma provocação: E o comunicador ensinando arte, como eu me preparo para  tornar  um arte educador melhor? Ela me diz que não estou na área por acaso, tenho compromisso e uma ideologia, este é o grande caminho.
Outro questionamento que surgiu nesta aula foi sobre processo de ensino aprendizagem e o produto final de uma intervenção arte educativa; mas precisamente, através do teatro. Foi discutido até que ponto o processo é mais importante do que o produto, ou vice versa; surgiram alguns pontos de vistas diferentes. Mas no meu ponto de vista, se o processo tem um intento pedagógico, ele tende a ser eficiente e alcançar o objetivo; caso o produto final seja uma apresentação teatral, o espetáculo será o resultado do processo, tanto no nível artístico quanto social; sendo assim, o produto final é também muito importante em termos de vivência e aprendizagem.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, A.M.  Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. In Estudos Avançados. São Paulo, 1989. 3(7) pgs.170 a 182.





segunda-feira, 20 de junho de 2016

Reflexão pós-aula 31/05
A aula se inicia com a colega Luz Marina fazendo uma exposição dos dois textos escolhidos por ela e suas observações. Os artigos são: CUNHA, Fernanda Pereira da. “E-Arte/Educação Crítica” e CUNHA, Fernanda Pereira da. “Performances culturais intermidiáticas. Você tem fome de quê? Consumo de sinais”; e fala de forma resumida sobre cada um dos textos.
Luz Marina conta sobre sua experiência em uma escola na Comunidade Kalunga, onde foi instalado um ponto de internet; ela nos relata que os alunos estão se adaptando bem com a novidade, mas os professores ainda sentem um pouco de “medo” da tecnologia da informática e do mundo virtual, e encontram mais dificuldades em se adaptarem.  Ela destaca a ressignificação das Artes nas escolas da rede pública do Estado, (ela trabalha no projeto de arte educação “Ciranda da Arte”, do governo estdual) e apresenta os seguintes questionamentos “Como a Ciranda da Arte pode dialogar com os professores da comunidade Kalunga?” e “Como as performances arte educativas tem acontecido na rede?” Ela fala da importância em ressignificar as práticas com os professores através de um trabalho de formação;  considerando uma maneira de combater o receio que os professores tem do ambiente virtual, tentando aproximá-los das tecnologias para que eles se tornem mais próximos aos alunos. Outra questão citada por Luz Marina foi o fato de que o consumo da tecnologia de forma desordenada e exagerada, está  fazendo com que as pessoas da comunidade desprezem a sua cultura e que se afastem de suas tradições culturais.
A professora Fernanda lança a questão “Você tem fome de quê?”, para que seja questionada a problemática do trabalho investigativo de cada um, deixando a reflexão sobre pensamento e palavra. Luz Marina cita a área de música que é sua especialidade, relatando que quando se fala em música, ela pensa na linguagem musical, na estrutura musical.  A professora cita o clipe de Lady Gaga, que foi instrumento de pesquisa, e diz que quando se fala em música ela pensa na letra, e lembra das imagens do clipe que são muito fortes. E propõe questionamentos para se trabalhar na arte educação (neste caso, a música): “Qual o interesse de um aluno pela música?”, “O que é a música para eles?” e “Como e porque a música chega nas pessoas?”. Acredita-se que tudo tem relação, e tudo é inter disciplinar; mas tem  a questão de que as pessoas querem ouvir as músicas que estão na mídia, e que é necessário trabalhar com os educandos a formação de platéia nas escolas para amplificar a cultura musical, com uma formação ampla e de pensamento crítico, não só para os estudantes, mas para todas as pessoas. No meu caso, a  área é o teatro, é muito importante a formação do senso crítico no educando, independente das técnicas teatrais,  seja para ajudá-lo a se tornar um profissional da área ou usar o teatro, pela sua ação transformadora, na formação do indivíduo; ainda ressalto que a cultura digital, como as diversas linguagens artísticas, só agregam no processo aprendizagem através teatro educação.
Na continuidade da aula foi retomado o assunto da internet, destacando a existência da fobia de usar os meios digitais;  a professora aponta uma questão interessante, ela diz que os professores, geralmente, são “tecnofóbicos” e os alunos são “tecnomainácos”, devido à diferença da idade influenciar no domínio da tecnologia; para as novas gerações, a tecnologia sempre fez parte da vida, e a velocidade das inovações tecnológicas são absorvidas mais facilmente;   ressaltando que a maioria dos professores só usam esses meios como ferramenta e não como instrumentos de formação, talvez pelo fato de não dominarem  a tecnologia; e o aluno pode consumir o lixo da internet, por não saber usar de forma mais positiva, por isso a importância do professor se aprofundar melhor, para saber usar esta ferramenta a favor da formação do individuo, deixar de ver a tecnologia só para ensinar recursos, mas para formar através dela; é preciso entender o que é cultura digital.
O que é cultura digital? Outro assunto tratado na aula foi sobre elementos da cultura digital: “som, imagem e texto”; e cada pessoa vai olhar mais pelo seu centro de interesse, do que cada um tem fome;  o aluno tem fome das coisas, e o bom educador não leva o aluno o lixo, mas o tira do lixo, pois só se sabe que está no lixo quando sair dele, e depois juntos recolherem o lixo.
A educação na cultura brasileira também foi colocada em questão na aula; uma colega menciona que nossa cultura é deformativa e não incentiva o saber, mas simplesmente o que a pessoa tem que saber. Foi dito que a cultura massiva educa para o aluno não perguntar, pois o professor já chega com respostas e não problematiza as questões; a problematização faz com que o aluno forme seu pensamento. Eu penso que na nossa cultura, muitas vezes, as pessoas são educadas para dar valor ao que vem de fora, deixando de lado o que é nosso, nossa diversidade e riqueza cultural, para assimilar e repetir outras culturas, como macacos de imitação; é importante conhecer outras culturas, mas é essencial viver o que é nosso, pois o que é nosso é o que somos.
Finalizando a aula, a professora propõe uma atividade/desafio, que é a construção de um plano de intervenção arte/educativa, com o eixo matriz “A pedagogia do questionamento”, levando em conta a percepção do educador para identificar o centro de interesse, identificar um problema com intento pedagógico digital; ou seja; pedagogia do questionamento digital. Partindo de quatro eixos: “O que ensinar?” (conteúdo), “Para que ensinar?” (objetivo), “Quem ensinar?” (público alvo) e “Como ensinar? (maneira/abordagem)”

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CUNHA, Fernanda Pereira da. E-Arte/Educação Crítica. São Paulo: Editora Annablume, 2012.
CUNHA, Fernanda Pereira da. Performances culturais intermidiáticas. Você tem fome de quê? Consumo de sinais. In: ENCONTRO NACIONAL ANPP (ASSOSSIAÇÃO NACIONAL DE PESQUISADORES EM ARTES PLÁTICAS), 21., 2012, Rio de Janeiro, RJ, Anais... Rio de Janeiro, set. 2012.






Primeiro esboço do Plano de Intervenção Arte/Educativa:
“Selfiejornalismo e o Teatro Educação” (possível título/sugerido pela professora Fernanda)
Primeiro momento:
- Apresentações pessoais
- Alongamento
- Aquecimento corporal (dinâmicas e jogos teatrais)
-  Roda de conversa sobre o teatro, as selfies, e a realidade sócio cultural de cada participante (depoimentos  sobre assuntos que consideram problemas dentro do contexto sócio-cultural de cada um)
- Divisão da turma em grupos, cada grupo vai eleger “problema” mais importante a ser tratado, trazidos pelos participantes de cada grupo para ser encenado na aula.
- Encenações improvisadas dos temas escolhidos por cada grupo,  e um participante escolhido de cada grupo irá fotografar com o celular a performance com características de fotojornalismo.
- Sugestão para o segundo momento: Cada participante irá fazer uma selfie com o próprio celular, onde o contexto da fotografia, como pano de fundo, será o próprio ambiente em que cada um vive e, se possível, mostrar uma questão considerada um “problema social” no contexto sócio/cultural de cada participante.

Segundo momento:
- Alongamento
- Aquecimento corporal (dinâmicas e jogos teatrais)
- Apresentação da selfies de cada um pra a turma inteira, e cada participante irá falar sobre que “problema” escolheu para fazer sua selfie.
- Trabalhar as encenações realizadas no primeiro momento (aplicação de técnicas teatrais e ensaios).

Terceiro momento (aberto aos familiares e convidados dos alunos):
- Exposição fotográfica das selfies.

- Apresentações teatrais das cenas trabalhadas no primeiro e no segundo momento.