segunda-feira, 27 de junho de 2016

Reflexão pós-aula 07/06
Nesta aula, eu fui designado para expor os textos escolhidos por mim. Comecei falando sobre minhas experiências práticas na arte educação em teatro,  na minha pouca experiência teórico-acadêmica,  na dificuldade que tenho para encontrar a problemática do meu projeto de pesquisa para o mestrado, tendo que  me desconstruir e esvaziar  das minhas certezas para me construir melhor como pesquisador.  A professora ressaltou a importância da oportunidade de cada um de nós  ter este espaço aberto para expor nossas questões para a turma toda, pois a pesquisa do outro pode ajudar a sua pesquisa.
Iniciei a expondo as minhas reflexões sobre o texto “Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras”, de Ana Mae Barbosa. A escolha deste texto foi pelo fato de ter sido escrito no final dos anos 80, e o primeiro questionamento que eu trouxe é se a situação dos arte educadores no Brasil mudou muito daquela época para os dias de hoje, pois acredito que ainda há um pensamento de que a educação artística é uma disciplina considerada secundária, sem levar em conta a formação integral do indivíduo através da arte com sua ação transformadora; no meu caso, o teatro. Levantei a questão de que o Teatro, em relação a outras artes, ainda sobre bastante preconceito, até mesmo dos pais dos alunos que consideram uma atividade menor e sem expectativa de futuro para seus filhos, ainda mais no contexto em que tenho mais experiência; que é o trabalho com crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade social. Então, trago meu segundo questionamento: Como mudar esse pensamento de que o teatro não tem tanta importância na educação integral de um aluno?Apesar dos pais perceberem a mudança dos filhos depois que começaram a fazer teatro na escola, e compartilharem essa melhora, inclusive no convívio familiar.
Cito um trecho (pg.170) em que a autora fala que no currículo estabelecido em 1971, eliminaram filosofia e história; eu penso que naquela época era proibido pensar, ter um pensamento próprio, principalmente se esse pensamento fosse contra o regime da ditadura, e a filosofia faz pensar, a história faz analisar. Naquela época, as universidades ofereciam o curso de Licenciatura em Educação Artística, com duração de apenas dois anos; e os educadores formados ministravam aulas de dança, música, teatro, desenho artístico e desenho geométrico.
Outro assunto que questionei foi a avaliação de um trabalho artístico realizado pelo aluno; eu considero que o processo seja mais importante que o produto final, porque se o processo foi rico e proveitoso, o resultado final também será bom; penso que seria mais indicado avaliar a dedicação e o desempenho; uma avaliação mais aprofundada cabe ao crítico de arte especializado, que não vem ao caso dentro de um processo de ensino aprendizagem.
A apreciação artística  foi outra questão que eu trouxe na aula. Como preparar alguém para saber apreciar uma obra de arte? Seja um objeto, uma imagem, uma peça teatral, uma música, uma manifestação artística. É importante  o estudo teórico, a história da arte; mas isto não novo interferir diretamente no processo criativo do aluno e na sua liberdade de expressão; eu penso que o arte educador deve mostrar caminhos e funcionar como um provocador, além de passar conhecimentos teóricos, estimular a criatividade, sempre respeitando as diferenças e os potenciais de cada um; tudo isso vai interferir para o desenvolvimento do senso crítico do  aluno.
Eu pontuei outro fato no texto, quando a autora relata que no início dos anos 80, surgem as Associações de Arte Educadores no Brasil (pg. 174). Estas associações serviam para lutar por melhores condições de ensino de arte, e para mediação com as Secretárias da Educação e Cultura, e na preparação política dos professores de arte par que não houvesse a manipulação governamental sobre os arte-educadores.  Então questiono: Como estão estas associações nos dias de hoje e como está a situação atual dos professores de arte? Como estão os programas de mestrado e doutorado nesta área? A professora explica que nesse momento que começam a surgir as associações,  a arte educação moderna começa a dar lugar para a arte educação pós-moderna, com a relação com a politização e atuação de um professor mais político, com o compromisso social.
Depois da exposição do texto a professora me faz a seguinte pergunta: De tudo que você está perguntando qual a pergunta que fica mais alta dentro de você? Percebo que o meu maior questionamento é bastante genérico e amplo, e preciso de um recorte para direcionar minha pesquisa, e trazer o meu conflito/drama social entrando no cerne do meu problema e me preparar melhor como arte-educador. Sinto a necessidade de transformar minha experiência prática (teatro educação para estudantes que vivem num contexto de vulnerabilidade social) em conhecimentos acadêmicos. A professora sugere que eu afirme o meu intento pedagógico no processo de identificação do meu aluno, instaurando um drama social real, e começar a estudar imediatamente as questões que trago.
Outra questão esclarecida pela professora, a partir das questões e reflexões que eu trouxe pela leitura do artigo, é sobre uma marca muito importante na arte educação: A arte educação modernista e a arte educação pós-modernista, que são momentos bem demarcados.Na época que Ana Mae escreveu este artigo, na década de 80, era um momento meio nevrálgico na arte educação, isso não quer dizer que hoje não exista educadores modernistas; e isso não quer dizer que não haja um artista contemporâneo que é modernista na sua estrutura e no seu modo de expressar; ou artistas em tempos do modernismo que são pós-modernistas; ela completa, que a  diferença essencial é que no modernismo tem o conceito do “dom” que a pessoa nasce, é direcionada mais à elite e se preocupa com o que se coloca à apreciação  sem a discussão do que do conceito do que é arte; também na arte educação modernista não tinha este comprometimento,  mas um outro comprometimento, que “é tirar do artista aquele artista que está dentro dele, não trabalhar o universo externo porque pode trazer uma impureza e atrapalhar aquele artista que está dentro dele. Já o pós-modernismo tem uma preocupação voltada mais para campo social e político.
Neste momento a professora cita o exemplo do fotojornalismo, pelo fato de eu ser graduado em Comunicação Social e já ter trabalhado como fotógrafo, lançando as seguintes perguntas: Como posso trabalhar fotojornalismo com meu aluno de teatro? Como utilizar a fotografia numa produção cênica? Como o fotojornalismo pode promover o desenvolvimento consciente e ações qualificadas? Isto já é uma ação integradora, em que posso oferecer uma educação questionadora e provocativa.  Ela sugere para meu projeto de pesquisa que eu faça recortes para o meu objeto, especificando a faixa de idade dos adolescentes, o contexto e o drama social. As sugestões que a professora traz para são muito importantes para que eu trace um rumo melhor para minha pesquisa, com recortes mais adequados e com a possibilidade do uso de outras linguagens artísticas, com qual tenho experiências, para que o meu projeto de investigação se torne mais rico.
O ensino intuitivo foi outro assunto tratado na aula;  é um método por  excelência, que acontece em 1700, em que a base era ensinar o cientificismo, a educação pelo olhar; era mais importante para eles que a criança entendesse o que era a  “coisa” e não o nome da “coisa”; para trazer este rigor  na educação científica, o desenho vai ser o alicerce de tudo; desenho ao ar livre, trabalhando o objeto com o máximo do rigor possível, para criar aquele olhar científico; associado com o modelo desta educação que o Brasil vai estar trazendo dos Estados Unidos, só que lá acontecia uma grande reforma no ensino e o desenho industrial era muito importante naquele momento; o Brasil queria trazer esse desenvolvimento que acontecia nos outros países, então foi adotado o modelo aqui; que foi de suma importância para a história da arte educação.
Na minha exposição, eu citei o fato de professores de educação física ensinando educação artística nas escolas;  a professora ressalta a capacidade individual de cada pessoa para ensinar arte, independente de sua formação, me lançando uma provocação: E o comunicador ensinando arte, como eu me preparo para  tornar  um arte educador melhor? Ela me diz que não estou na área por acaso, tenho compromisso e uma ideologia, este é o grande caminho.
Outro questionamento que surgiu nesta aula foi sobre processo de ensino aprendizagem e o produto final de uma intervenção arte educativa; mas precisamente, através do teatro. Foi discutido até que ponto o processo é mais importante do que o produto, ou vice versa; surgiram alguns pontos de vistas diferentes. Mas no meu ponto de vista, se o processo tem um intento pedagógico, ele tende a ser eficiente e alcançar o objetivo; caso o produto final seja uma apresentação teatral, o espetáculo será o resultado do processo, tanto no nível artístico quanto social; sendo assim, o produto final é também muito importante em termos de vivência e aprendizagem.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA, A.M.  Arte educação no Brasil: Realidade hoje e expectativas futuras. In Estudos Avançados. São Paulo, 1989. 3(7) pgs.170 a 182.





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