Reflexão pós-aula 07/06
Nesta aula, eu fui designado para expor os textos
escolhidos por mim. Comecei falando sobre minhas experiências práticas na arte
educação em teatro, na minha pouca
experiência teórico-acadêmica, na
dificuldade que tenho para encontrar a problemática do meu projeto de pesquisa
para o mestrado, tendo que me
desconstruir e esvaziar das minhas
certezas para me construir melhor como pesquisador. A professora ressaltou a importância da
oportunidade de cada um de nós ter este
espaço aberto para expor nossas questões para a turma toda, pois a pesquisa do
outro pode ajudar a sua pesquisa.
Iniciei a expondo as minhas reflexões sobre o texto “Arte educação no Brasil: Realidade hoje e
expectativas futuras”, de Ana Mae Barbosa. A escolha deste texto foi pelo
fato de ter sido escrito no final dos anos 80, e o primeiro questionamento que
eu trouxe é se a situação dos arte educadores no Brasil mudou muito daquela
época para os dias de hoje, pois acredito que ainda há um pensamento de que a
educação artística é uma disciplina considerada secundária, sem levar em conta
a formação integral do indivíduo através da arte com sua ação transformadora;
no meu caso, o teatro. Levantei a questão de que o Teatro, em relação a outras
artes, ainda sobre bastante preconceito, até mesmo dos pais dos alunos que
consideram uma atividade menor e sem expectativa de futuro para seus filhos,
ainda mais no contexto em que tenho mais experiência; que é o trabalho com
crianças, adolescentes e jovens em vulnerabilidade social. Então, trago meu
segundo questionamento: Como mudar esse
pensamento de que o teatro não tem tanta importância na educação integral de um
aluno?Apesar dos pais perceberem a mudança dos filhos depois que começaram
a fazer teatro na escola, e compartilharem essa melhora, inclusive no convívio
familiar.
Cito um trecho (pg.170) em que a autora fala que no
currículo estabelecido em 1971, eliminaram filosofia e história; eu penso que
naquela época era proibido pensar, ter um pensamento próprio, principalmente se
esse pensamento fosse contra o regime da ditadura, e a filosofia faz pensar, a
história faz analisar. Naquela época, as universidades ofereciam o curso de Licenciatura
em Educação Artística, com duração de apenas dois anos; e os educadores
formados ministravam aulas de dança, música, teatro, desenho artístico e
desenho geométrico.
Outro assunto que questionei foi a avaliação de um
trabalho artístico realizado pelo aluno; eu considero que o processo seja mais
importante que o produto final, porque se o processo foi rico e proveitoso, o
resultado final também será bom; penso que seria mais indicado avaliar a
dedicação e o desempenho; uma avaliação mais aprofundada cabe ao crítico de
arte especializado, que não vem ao caso dentro de um processo de ensino aprendizagem.
A apreciação artística foi outra questão que eu trouxe na aula. Como preparar alguém para saber apreciar uma
obra de arte? Seja um objeto, uma imagem, uma peça teatral, uma música, uma
manifestação artística. É importante o
estudo teórico, a história da arte; mas isto não novo interferir diretamente no
processo criativo do aluno e na sua liberdade de expressão; eu penso que o arte
educador deve mostrar caminhos e funcionar como um provocador, além de passar
conhecimentos teóricos, estimular a criatividade, sempre respeitando as
diferenças e os potenciais de cada um; tudo isso vai interferir para o
desenvolvimento do senso crítico do
aluno.
Eu pontuei outro fato no texto, quando a autora
relata que no início dos anos 80, surgem as Associações de Arte Educadores no
Brasil (pg. 174). Estas associações serviam para lutar por melhores condições
de ensino de arte, e para mediação com as Secretárias da Educação e Cultura, e
na preparação política dos professores de arte par que não houvesse a manipulação
governamental sobre os arte-educadores.
Então questiono: Como estão estas associações nos dias de hoje e como
está a situação atual dos professores de arte? Como estão os programas de
mestrado e doutorado nesta área? A professora explica que nesse momento que
começam a surgir as associações, a arte
educação moderna começa a dar lugar para a arte educação pós-moderna, com a
relação com a politização e atuação de um professor mais político, com o
compromisso social.
Depois da exposição do texto a professora me faz a
seguinte pergunta: De tudo que você está perguntando qual a pergunta que fica
mais alta dentro de você? Percebo que o meu maior questionamento é bastante
genérico e amplo, e preciso de um recorte para direcionar minha pesquisa, e
trazer o meu conflito/drama social entrando no cerne do meu problema e me
preparar melhor como arte-educador. Sinto a necessidade de transformar minha
experiência prática (teatro educação para estudantes que vivem num contexto de
vulnerabilidade social) em conhecimentos acadêmicos. A professora sugere que eu
afirme o meu intento pedagógico no processo de identificação do meu aluno,
instaurando um drama social real, e começar a estudar imediatamente as questões
que trago.
Outra questão esclarecida pela professora, a partir
das questões e reflexões que eu trouxe pela leitura do artigo, é sobre uma marca
muito importante na arte educação: A arte educação modernista e a arte educação
pós-modernista, que são momentos bem demarcados.Na época que Ana Mae escreveu
este artigo, na década de 80, era um momento meio nevrálgico na arte educação, isso
não quer dizer que hoje não exista educadores modernistas; e isso não quer
dizer que não haja um artista contemporâneo que é modernista na sua estrutura e
no seu modo de expressar; ou artistas em tempos do modernismo que são
pós-modernistas; ela completa, que a
diferença essencial é que no modernismo tem o conceito do “dom” que a
pessoa nasce, é direcionada mais à elite e se preocupa com o que se coloca à
apreciação sem a discussão do que do
conceito do que é arte; também na arte educação modernista não tinha este
comprometimento, mas um outro
comprometimento, que “é tirar do artista aquele artista que está dentro dele,
não trabalhar o universo externo porque pode trazer uma impureza e atrapalhar
aquele artista que está dentro dele. Já o pós-modernismo tem uma preocupação
voltada mais para campo social e político.
Neste momento a professora cita o exemplo do
fotojornalismo, pelo fato de eu ser graduado em Comunicação Social e já ter
trabalhado como fotógrafo, lançando as seguintes perguntas: Como posso
trabalhar fotojornalismo com meu aluno de teatro? Como utilizar a fotografia
numa produção cênica? Como o fotojornalismo pode promover o desenvolvimento
consciente e ações qualificadas? Isto já é uma ação integradora, em que posso
oferecer uma educação questionadora e provocativa. Ela sugere para meu projeto de pesquisa que eu
faça recortes para o meu objeto, especificando a faixa de idade dos adolescentes,
o contexto e o drama social. As sugestões que a professora traz para são muito
importantes para que eu trace um rumo melhor para minha pesquisa, com recortes
mais adequados e com a possibilidade do uso de outras linguagens artísticas,
com qual tenho experiências, para que o meu projeto de investigação se torne
mais rico.
O ensino intuitivo foi outro assunto tratado na
aula; é um método por excelência, que acontece em 1700, em que a
base era ensinar o cientificismo, a educação pelo olhar; era mais importante
para eles que a criança entendesse o que era a
“coisa” e não o nome da “coisa”; para trazer este rigor na educação científica, o desenho vai ser o
alicerce de tudo; desenho ao ar livre, trabalhando o objeto com o máximo do
rigor possível, para criar aquele olhar científico; associado com o modelo
desta educação que o Brasil vai estar trazendo dos Estados Unidos, só que lá
acontecia uma grande reforma no ensino e o desenho industrial era muito
importante naquele momento; o Brasil queria trazer esse desenvolvimento que
acontecia nos outros países, então foi adotado o modelo aqui; que foi de suma
importância para a história da arte educação.
Na minha exposição, eu citei o fato de professores
de educação física ensinando educação artística nas escolas; a professora ressalta a capacidade individual
de cada pessoa para ensinar arte, independente de sua formação, me lançando uma
provocação: E o comunicador ensinando arte, como eu me preparo para tornar
um arte educador melhor? Ela me diz que não estou na área por acaso,
tenho compromisso e uma ideologia, este é o grande caminho.
Outro questionamento que surgiu nesta aula foi sobre
processo de ensino aprendizagem e o produto final de uma intervenção arte
educativa; mas precisamente, através do teatro. Foi discutido até que ponto o
processo é mais importante do que o produto, ou vice versa; surgiram alguns
pontos de vistas diferentes. Mas no meu ponto de vista, se o processo tem um
intento pedagógico, ele tende a ser eficiente e alcançar o objetivo; caso o
produto final seja uma apresentação teatral, o espetáculo será o resultado do
processo, tanto no nível artístico quanto social; sendo assim, o produto final
é também muito importante em termos de vivência e aprendizagem.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
BARBOSA,
A.M. Arte educação no Brasil:
Realidade hoje e expectativas futuras. In Estudos Avançados. São Paulo, 1989. 3(7)
pgs.170 a 182.
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