terça-feira, 28 de junho de 2016

Reflexão pós-aula 14/06
Na aula deste dia, a nossa colega Sarah fez a exposição de suas reflexões sobre os textos de sua escolha. Ela inicia falando sobre “Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal”, tese de Doutorado em Educação e Sociedade de Tânia  Márcia Baraúna Teixeira. Sarah começa falando da importância de Paulo Freire e o Teatro do Oprimido; e cita os dois questionamentos dos problemas da investigação lançados pela autora da tese, sobre os elementos da Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, que defende a necessidade de transitividade no ensino, e o Teatro do Oprimido de Augusto Boal, que enfatiza esta transitividade.
Segundo Sarah, que a leitura do trabalho de Paulo Freire tem sido deixada de lado pelos arte educadores, acreditando já o conhecerem bem; mas ela ressalta que a autora da tese acredita que a releitura da obra de Paulo Freire ajuda muito no trabalho dos pesquisadores, pois as fontes básicas são muito importante na investigação. A professora Fernanda ressalta que os alunos de pesquisa, que na maioria são jovens,  tem a tendência de pensar que o seu projeto de pesquisa é totalmente inovador, e menosprezam a fonte, que é a condição essencial da pesquisa; sendo que o aperfeiçoamento de uma fonte primária que é a inovação; pois não se inventa o que já foi inventado; e se a USP recomenda revisitar Paulo Freire, entende-se que é necessário, ele é um autor complexo, mas “o que parece ser complexo é simples”.  Sarah cita que existem pessoas que dizem que Paulo Freire já está ultrapassado, mas ela afirma que se ele já estivesse mesmo ultrapassado, o Brasil estaria numa condição bem melhor. Eu acredito totalmente na bela contribuição de Freire para a educação, com foco no humano e no social;  suas  fontes me servem de inspiração, seu embasamento serve de ponto de partida para o meu trabalho como arte educador em Teatro.
Sarah aborda os três tipos de intervenção social citada na tese: a intervenção sócio política educativa, a intervenção social no processo educativo, e a intervenção social educativa/didática/abordagem; ela acredita que elas se misturam, e que a diferença está no intento pedagógico; e esta mistura sem objetivo se perde. A professora afirma que não tem como  pesquisar uma performance de natureza epistemológica sem um intento pedagógico; não se pode perder o problema em nenhum momento do trabalho de investigação, o problema sempre tem que ser a raiz numa pesquisa.
O Teatro Fórum foi abordado por Sarah em sua exposição na aula, ela acredita que Boal o aprimorou para o Teatro do Oprimido; onde o expectador se torna ator e tem a autonomia para participar da cena e transformá-la. Ela cita também o Teatro Imagem, no qual se pretende falar através do corpo, produzindo imagens na maneira como se movimenta o corpo que, às vezes, fala mais que as palavras; trabalhar com a leitura de imagens  no processo educativo, com adolescentes que super valorizam a imagem, é muito produtivo.
 A professora Fernanda dá orientações sobre as Performances Culturais com relação ao projeto da Sarah (a pedido dela). Ela começa dizendo que devemos sair da zona de conforto e pesquisar as fontes que podemos estudar e aprender;  ela diz que a Sarah antes se via mais como artista do que arte educadora, mas através da orientação, percebeu que foi muito importante ir até às fontes primárias no conflito entre Boal e Freire, e também as leituras feitas sobre Performances Culturais, pois  deu a capacidade de visualizar as imagens do tema problema (o conflito) e se apropriar das performances, se utilizando também da abordagem triangular; e lança o questionamento: Qual é a epistemologia das Performances Culturais e da Arte/Educação? Segunda a professora, é necessário instaurar um drama social, um conflito pedagógico e não repetir os autores, mas usá-los como fonte para a pesquisa; constituir o tema problema e perceber que zona de “desconforto” se instaurou, aí está o cerne; e a avaliação de Arte/Educação é a resposta de um problema instaurado, um pensamento constituído. Quanto ao Teatro do Oprimido, ao Teatro Imagem e ao Teatro Fórum; ela ressalta que é teatro que se faz junto com o expectador, em coletividade; e o coringa do Teatro Fórum pode potencializar o Teatro Imagem; ele potencializa o meta-conflito, a meta-imagem nas performances arte/educativas; de forma a perceber o conflito do outro e ensinar o outro a pensar.
Sarah relata a importância que é chegar em qualquer lugar e trabalhar o teatro com pessoas que nunca vivenciaram o teatro, e recriar com estas pessoas. Destaca que Boal está mais preocupado com a prática urgente da realidade; na experiência do Teatro Fórum, a pessoa tem que levar para a sua realidade cotidiana, a função do mediador é de suma importância, a relação do coringa com os participantes (comunidade), e sem a participação do público a experiência não acontece.
Outro texto escolhido por nossa colega Sarah , para ser discutido na aula e expor suas reflexões, foi  O Jogo de Richard Schechner.  Ela vê o “jogo” como algo central para as Performances Culturais, e não é a mesma coisa que “ritual”, é a erupção espontânea que é despertada. A professora ressalta que tem que existir o sensível com criticidade, não o sensível que te faz chorar sem saber o porquê,  com o significado e diretrizes de cada jogo, para trazer qualidades estéticas para seu trabalho com Teatro/Educação,  situando e delimitando, e  pensar na estratégia para sua realização. Ela acredita que muitas vezes na arte/educação nos propomos a jogar (construção de conhecimento); e o ato de brincar pela imaginação não prepara o educando para realizar leitura  crítica, fazer a leitura de imagem; o Play (brincar no sentido lúdico) proporciona o posicionamento crítico e estético sobre algo.
Sarah também cita a relação entre experiência, perigo e ritual (ritos de passagem); passar pelo risco para chegar ao conflito/drama social;  o ritual precisa sempre ser encenado e todo jogo encenado é performático, não precisa ter regras, elas podem ser criadas durante o jogo.
Eu me identifico bastante com o projeto de pesquisa na nossa colega Sarah, acho que pelo fato de eu usar elementos do Teatro do Oprimido no meu trabalho, como arte educador em Teatro com pessoas que vivem num contexto de vulnerabilidade social.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TEIXEIRA, Tânia Márcia Baraúna. Dimensões Sócio Educativas do Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal. 335f. Tese (Doutorado em Educação e Sociedade) – Departamento de Pedagogia Sistemática e Social, Universidade Autônoma de Barcelona (U.A.B.), 2007.

SCHECHNER, Richard. O Jogo. In LIGIERO, Zeca. Performance e Antropologia de R. Schechner. RJ: Mauad, 2012.

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