Reflexão pós-aula 14/06
Na aula deste dia, a nossa colega Sarah fez a exposição
de suas reflexões sobre os textos de sua escolha. Ela inicia falando sobre “Dimensões Sócio Educativas do Teatro do
Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal”, tese de Doutorado em Educação e
Sociedade de Tânia Márcia Baraúna Teixeira.
Sarah começa falando da importância de Paulo Freire e o Teatro do Oprimido; e
cita os dois questionamentos dos problemas da investigação lançados pela autora
da tese, sobre os elementos da Pedagogia
do Oprimido de Paulo Freire, que defende a necessidade de transitividade no
ensino, e o Teatro do Oprimido de
Augusto Boal, que enfatiza esta transitividade.
Segundo Sarah, que a leitura do trabalho de Paulo
Freire tem sido deixada de lado pelos arte educadores, acreditando já o conhecerem
bem; mas ela ressalta que a autora da tese acredita que a releitura da obra de
Paulo Freire ajuda muito no trabalho dos pesquisadores, pois as fontes básicas
são muito importante na investigação. A professora Fernanda ressalta que os
alunos de pesquisa, que na maioria são jovens, tem a tendência de pensar que o seu projeto de
pesquisa é totalmente inovador, e menosprezam a fonte, que é a condição essencial da pesquisa; sendo que o aperfeiçoamento
de uma fonte primária que é a inovação;
pois não se inventa o que já foi inventado; e se a USP recomenda revisitar
Paulo Freire, entende-se que é necessário, ele é um autor complexo, mas “o que
parece ser complexo é simples”. Sarah cita
que existem pessoas que dizem que Paulo Freire já está ultrapassado, mas ela afirma
que se ele já estivesse mesmo ultrapassado, o Brasil estaria numa condição bem
melhor. Eu acredito totalmente na bela contribuição de Freire para a educação,
com foco no humano e no social; suas fontes me servem de inspiração, seu
embasamento serve de ponto de partida para o meu trabalho como arte educador em
Teatro.
Sarah aborda os três tipos de intervenção social
citada na tese: a intervenção sócio política educativa, a intervenção social no
processo educativo, e a intervenção social educativa/didática/abordagem; ela
acredita que elas se misturam, e que a diferença está no intento pedagógico; e esta
mistura sem objetivo se perde. A professora afirma que não tem como pesquisar uma performance de natureza
epistemológica sem um intento pedagógico; não se pode perder o problema em nenhum
momento do trabalho de investigação, o problema sempre tem que ser a raiz numa
pesquisa.
O Teatro Fórum foi abordado por Sarah em sua
exposição na aula, ela acredita que Boal o aprimorou para o Teatro do Oprimido;
onde o expectador se torna ator e tem a autonomia para participar da cena e
transformá-la. Ela cita também o Teatro Imagem, no qual se pretende falar
através do corpo, produzindo imagens na maneira como se movimenta o corpo que,
às vezes, fala mais que as palavras; trabalhar com a leitura de imagens no processo educativo, com adolescentes que
super valorizam a imagem, é muito produtivo.
A professora Fernanda
dá orientações sobre as Performances Culturais com relação ao projeto da Sarah (a
pedido dela). Ela começa dizendo que devemos sair da zona de conforto e
pesquisar as fontes que podemos estudar e aprender; ela diz que a Sarah antes se via mais como
artista do que arte educadora, mas através da orientação, percebeu que foi
muito importante ir até às fontes primárias no conflito entre Boal e Freire, e
também as leituras feitas sobre Performances Culturais, pois deu a capacidade de visualizar as imagens do
tema problema (o conflito) e se apropriar das performances, se utilizando
também da abordagem triangular; e lança o questionamento: Qual é a epistemologia
das Performances Culturais e da Arte/Educação? Segunda a professora, é
necessário instaurar um drama social, um conflito pedagógico e não repetir os
autores, mas usá-los como fonte para a pesquisa; constituir o tema problema e
perceber que zona de “desconforto” se instaurou, aí está o cerne; e a avaliação
de Arte/Educação é a resposta de um problema instaurado, um pensamento
constituído. Quanto ao Teatro do Oprimido, ao Teatro Imagem e ao Teatro Fórum; ela
ressalta que é teatro que se faz junto com o expectador, em coletividade; e o coringa
do Teatro Fórum pode potencializar o Teatro Imagem; ele potencializa o meta-conflito,
a meta-imagem nas performances arte/educativas; de forma a perceber o conflito
do outro e ensinar o outro a pensar.
Sarah relata a importância que é chegar em qualquer
lugar e trabalhar o teatro com pessoas que nunca vivenciaram o teatro, e
recriar com estas pessoas. Destaca que Boal está mais preocupado com a prática
urgente da realidade; na experiência do Teatro Fórum, a pessoa tem que levar
para a sua realidade cotidiana, a função do mediador é de suma importância, a
relação do coringa com os participantes (comunidade), e sem a participação do
público a experiência não acontece.
Outro texto escolhido por nossa colega Sarah , para
ser discutido na aula e expor suas reflexões, foi O Jogo
de Richard Schechner. Ela vê o “jogo”
como algo central para as Performances Culturais, e não é a mesma coisa que “ritual”,
é a erupção espontânea que é despertada. A professora ressalta que tem que
existir o sensível com criticidade, não o sensível que te faz chorar sem saber
o porquê, com o significado e diretrizes
de cada jogo, para trazer qualidades estéticas para seu trabalho com Teatro/Educação,
situando e delimitando, e pensar na estratégia para sua realização. Ela
acredita que muitas vezes na arte/educação nos propomos a jogar (construção de
conhecimento); e o ato de brincar pela imaginação não prepara o educando para
realizar leitura crítica, fazer a
leitura de imagem; o Play (brincar no sentido lúdico) proporciona o
posicionamento crítico e estético sobre algo.
Sarah também cita a relação entre experiência, perigo
e ritual (ritos de passagem); passar pelo risco para chegar ao conflito/drama
social; o ritual precisa sempre ser
encenado e todo jogo encenado é performático, não precisa ter regras, elas podem
ser criadas durante o jogo.
Eu me identifico bastante com o projeto de pesquisa
na nossa colega Sarah, acho que pelo fato de eu usar elementos do Teatro do Oprimido
no meu trabalho, como arte educador em Teatro com pessoas que vivem num
contexto de vulnerabilidade social.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
TEIXEIRA, Tânia Márcia
Baraúna. Dimensões Sócio Educativas do
Teatro do Oprimido: Paulo Freire e Augusto Boal. 335f. Tese (Doutorado em
Educação e Sociedade) – Departamento de Pedagogia Sistemática e Social,
Universidade Autônoma de Barcelona (U.A.B.), 2007.
SCHECHNER, Richard. O Jogo. In LIGIERO, Zeca. Performance
e Antropologia de R. Schechner. RJ: Mauad, 2012.
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